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Florestas no Brasil: Grandes Perspectivas

Luiz Alfredo Salomão
Publicado em O Globo
27/11/2011

Enquanto o Congresso discute o novo Código Florestal, a proposta de política pública para desenvolver o setor florestal elaborada por um Grupo Interministerial, reunindo oito ministérios, o BNDES e o IPEA, não vem recebendo atenção do Executivo. Tal proposta tem três objetivos básicos: (1) aumentar a área de florestas plantadas no País dos atuais 7 para 15 milhões de ha, em 10 anos, aproveitando nossas inigualáveis vantagens comparativas (terras, água, trabalhadores e muito sol, responsável pela produtividade); (2) expandir as cadeias produtivas da madeira: papel, celulose, painéis de madeira, bioenergia (lenha, carvão vegetal e pellets), móveis, madeira serrada e toras industriais; e (3) estruturar um mercado de madeira organizado.

Organizar o mercado de madeira é a melhor estratégia para tornar não-competitiva a madeira oriunda do desmatamento clandestino, reduzindo a pressão sobre as florestas nativas.

Há grande oportunidade também para formar-se um novo setor agroindustrial no Brasil, equiparável aos já poderosos setores sucroalcooleiro, de carnes e do complexo soja. Isso é essencial para reforçar e diversificar nossa posição de liderança no mercado mundial de commodities.

A urbanização e elevação do padrão de vida de milhões de pessoas em curso no mundo, em especial nos países emergentes, manterá aquecida a demanda por alimentos, por materiais de construção e por bioenergia. Apesar de a ANP-Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustívies e o MME não terem qualquer política para a madeira como biocombustível, a queima do carvão vegetal, lenha e resíduos da indústria florestal representaram cerca de 10 a 12% da geração total de energia do País, nos últimos anos, participação pouco inferior à da hidreletricidade. A madeira é nossa quarta fonte mais importante de energia primária, atrás apenas dos hidrocarbonetos, da cana de açúcar (porém maior que a do álcool ou do bagaço isoladamente) e da hidreletricidade, E é praticamente neutra em matéria de emissão de gases do efeito estufa.

A área plantada de florestas brasileiras pode crescer ao ritmo de 1 milhão de ha/ano (o mesmo dos EUA) se, além do fomento das empresas de base
florestal e das linhas de crédito do BNDES, voltarem a operar os FIP-Florestais, que captaram R$ 4 bilhões em 2009.

Além de proteger as florestas nativas, a oferta abundante de madeira legal demandará, na próxima década, investimentos de R$ 40 bilhões no plantio e R$ 130 bilhões nas indústrias consumidoras de madeira. Isso gerará cerca de 1.000.000 de novos empregos. Ademais, as exportações anuais de produtos de origem florestal poderão se elevar dos atuais US$ 7 bilhões (concentrados em celulose) para algo como US$ 25 bilhões em 2020.

O Brasil tem condições de ser potência florestal em 2020, como são os EUA, Canadá, China e Rússia. Faltam, apenas, instituições adequadas para desenvolver o setor com eficiência, segurança jurídica e respeito ao meio ambiente e aos trabalhadores. Cabe ao Estado suprir tal lacuna, mediante reformas institucionais necessárias. Para esse efeito, 2020 é quase amanhã.

Luiz Alfredo Salomão, engenheiro, ex-secretário executivo da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, presidiu o GTI sobre Florestas Plantadas

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